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Sistema diminui riscos para a safrinha

O sistema sugere semear o milho nas entrelinhas da soja, quando está na fase de enchimento

Um sistema inédito de produção de grãos foi desenvolvido pela Embrapa Milho e Sorgo (MG) e promete incrementar a produção do milho safrinha no país. Chamado de Antecipe o método de cultivo possibilita a redução dos riscos causados pelas incertezas do clima durante a segunda safra.

 

A tecnologia é resultado de 13 anos de pesquisas e foi validada nas regiões que adotam a safrinha: Minas Gerais, Paraná, Goiás e Mato Grosso. O Antecipe engloba um sistema inédito de produção de grãos, uma semeadora-adubadora exclusiva e um aplicativo para auxiliar o produtor a tomar as melhores decisões.

 

Os resultados se mostraram promissores tanto nas operações de plantio intercalar do milho, como na colheita da soja e no desenvolvimento do milho após a colheita dessa leguminosa. Espera-se que já esteja disponível para comercialização na safra 21/22.

 

O produtor vai poder antecipar o cultivo do milho em até 20 dias, antes da colheita da soja. Com isso, ele vai trazer a soja para a época ideal de cultivo na sua região e diminuir os riscos de implantação do milho safrinha. No entanto, a Embrapa alerta que o Antecipe é uma tecnologia para diminuir riscos. Ou seja: aquele milho que estava sendo plantado fora da época recomendada, agora, volta para a janela ideal plantio e não uma proposta de mudança no sistema de cultivo da safrinha.

 

Após o lançamento comercial do Antecipe, em 2021, novas pesquisas adaptativas envolvendo outras espécies e regiões deverão ser feitas para atender pequenos e médios produtores, especialmente no Nordeste brasileiro.

 

Como funciona

O sistema começa com a semeadura mecanizada da cultura do milho nas entrelinhas da soja, quando a leguminosa está na fase de enchimento de grãos. Na hora da colheita, o milho é cortado junto com a soja, ficando apenas um pequeno caule de cada planta de milho.  Só que, nesse momento, toda a lavoura de milho já está implantada, com raízes em pleno desenvolvimento e pronta para continuar crescendo.

 

Com isso o produtor pode antecipar o plantio do milho safrinha em até 20 dias e diminuir os riscos de perda de produtividade em função de condições climáticas adversas, que ocorrem no fim do verão e início do outono. Dessa forma, a lavoura de milho pode se desenvolver em época com precipitação mais favorável, o que possibilita ganhos em produtividade e rentabilidade. Outro fator é a economia já que não é necessário fazer a dessecação da soja e torna possível o uso de cultivares de soja de ciclo mais longo, notadamente mais produtivas do que as cultivares precoces, sem prejuízo em produtividade do milho na sequência.

 

Outra oportunidade de uso da tecnologia é a implantação do milho safrinha em regiões agrícolas onde a segunda safra ainda não foi plenamente estabelecida, abrindo janelas de cultivo que antes eram limitadas ou inviáveis.

 

Aí entra o trabalho de uma semeadora-adubadora, patenteada pela Embrapa e desenvolvida pela empresa Jumil. A máquina faz o plantio e a adubação do milho, nas entrelinhas da soja, sem que haja danos mecânicos, amassamento, perda de área foliar ou outro prejuízo que comprometa a produtividade dessa oleaginosa.

 

Por fim o aplicativo facilita a tomada de decisões no campo. O produtor poderá realizar não só o acompanhamento dos estádios fenológicos da lavoura de soja, mas também obter orientações sobre o momento adequado para a implantação da lavoura de milho. O aplicativo já está em fase final de testes.

 

Fonte:  https://www.agrolink.com.br/